27 Abril 2017
Como a Tetra Pak adaptou sua dinâmica produtiva e se tornou consultora em excelência operacional
Zero acidentes, zero perdas de matéria-prima, zero paradas de manutenção. Como tantos zeros juntos podem ser sinal de bom desempenho? Na verdade, a busca por perdas cada vez menores na indústria é o foco de reconhecidos modelos de gestão, como a metodologia TPM – Total Productive Maintenance (Manutenção Produtiva Total, em português).  Desenvolvido no Japão, na segunda metade do século XX, o sistema foca, contínua e sistematicamente, em maximizar a produtividade, a partir do controle de perdas. Nesse conceito, quem tira zero é referência para os demais. 

Desde os anos 2000, a Tetra Pak passou a adotar globalmente o TPM. A partir de um desafio comum à indústria mundial – produzir mais (e melhor) com menos recursos –, a companhia seguiu um método que consolidou a excelência produtiva de suas fábricas oferecendo exatamente o que o mercado precisava: ir além da zona de conforto. Com engajamento da força de trabalho, todos passaram a pensar um passo à frente, identificando possíveis riscos, antecipando ações e buscando sempre a prevenção de ocorrências.   

No Brasil, a implementação do método ocorreu nas unidades de Ponta Grossa (PR) e Monte Mor (SP), e foi determinante para uma escalada de eficiência em um cenário econômico desafiador. 

“A metodologia TPM foi a estratégia que adotamos para trilhar um caminho de motivação e reconhecimento, com o objetivo de melhorar a eficácia de nossos processos, tornando nossas fábricas mais competitivas”, explica Salvador Marino, diretor industrial da unidade de Monte Mor da Tetra Pak. 

Em poucos anos, a estratégia não só alcançou os objetivos estabelecidos pela direção da empresa, como resultou em novas oportunidades de negócios. No período, a fábrica de Monte Mor ficou mais segura (por mais de 2 anos não ocorreram acidentes na planta), mais produtiva (aumentou em 71% sua produtividade), mais eficiente (80% menos perdas no processo) e gerou menos resíduos (44% menos descartes). 

A implementação

Entre 2003 a 2011, a unidade de Monte Mor conquistou quatro certificações, das cinco possíveis. Desde os processos fabris até as decisões gerenciais, tudo no sistema foi cuidadosamente alinhado a métricas precisas para controle dos resultados. Em 2017, a fábrica foi certificada, novamente, como empresa de alta excelência operacional, recebendo pela segunda vez a 4ª certificação, o Advanced Special Award.

“Passar por duas auditorias com membros do Japan Institute of Plant Maintenance exige um alto grau de dedicação e comprometimento. Analisamos as condições da nossa atuação e estabelecemos metas para diversos aspectos, desde geração de resíduos até eficiência dos equipamentos. Obter o prêmio é um estímulo para mantermos esse desenvolvimento constante e crescente”, complementa Salvador.

O sucesso, contudo, não veio tão fácil quanto o imaginado. Em 2011, a Tetra Pak não atingiu o 5º e maior nível de certificação, o World Class Award. Alguns anos antes, a empresa havia investido fortemente em novas máquinas e tecnologias, ampliou seu quadro de pessoal além de ter perdido diversos talentos. 

A reação

A companhia decidiu, então, reagir. Foram identificados três grandes desafios: 1 – Melhoria de processos (garantir fluidez na produção, redução de custos, otimização da produção); 2 – Desenvolvimento de pessoas (capacitação de funcionários); 3 – Fortalecimento da relação com o cliente (ouvir e atender às suas necessidades). 

Para vencê-los foram estabelecidas metas como índices de eficiência dos equipamentos, redução de custos operacionais, envolvimento de pessoas e diminuição dos impactos ambientais. 

Além do fortalecimento da metodologia TPM na fábrica, a Tetra Pak criou, em 2014, o TAAP - Time Autônomo de Alta Performance, que integra os processos produtivos e estabelece atribuições individuais aos colaboradores. Na nova dinâmica cada funcionário se sente responsável pelo bom funcionamento da unidade. Fortemente ancorado na valorização do capital humano, o TAAP é um dos principais diferenciais da empresa e envolve ainda um programa trimestral de reconhecimentos.

A conquista

O bom desempenho é fruto, entre outros aspectos, do investimento na reestruturação do layout da fábrica, que possibilitou entregas até 76% mais eficientes, com ganho de 33% no transporte interno (700 km a menos percorridos na planta). Entre 2013 e 2015, a satisfação do cliente também cresceu 24%.

Além disso, a empresa passou a compartilhar aprendizados e oferecer uma consultoria a seus clientes, por meio da área Tetra Pak Services. Somente em 2016, mais de 700 visitantes conheceram de perto a operação da Tetra Pak em Monte Mor. O apoio ajuda, principalmente, no desenvolvimento das empresas diante do atual cenário econômico.

“O Advanced Special Award coroa o sucesso da retomada da excelência operacional na unidade. O reconhecimento significa que a empresa tem processos produtivos de alto nível e está apta a buscar, em 2019, a máxima certificação TPM: o World Class Award. Queremos mostrar ao mercado que temos as melhores soluções ponta a ponta, em todas as etapas de criação, produção, comercialização e descarte”, conclui.  























Fábrica da Tetra Pak no Brasil
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