09 Março 2017
Entrevista com Mario Abreu, Vice-Presidente de Meio Ambiente da Tetra Pak 
Em um cenário no qual fabricantes de bebidas e alimentos têm assumido um papel cada vez mais importante na mitigação das mudanças climáticas, medir o progresso que fazemos em direção à sustentabilidade torna-se essencial. Nessa entrevista com Mario Abreu, Vice-Presidente de Meio Ambiente da Tetra Pak, mostramos como a empresa usa métodos científicos para estabelecer suas metas e avançar significativamente na redução do seu impacto climático. 

O que é a iniciativa Science Based Target? Como ela funciona?

A Science Based Targets é uma parceria entre o Pacto Global da ONU, CDP (Carbon Disclosure Program), WRI (World Resources Institute) e WWF (World Wide Fund for Nature), que mobiliza empresas a estabelecer metas de redução de emissões em alinhamento com metodologias científicas. 

Desde seu lançamento, em 2015, 208 companhias se comprometeram a instituir metas científicas e 33 delas, de diferentes segmentos, tiveram seus parâmetros aprovados pela iniciativa. Para isso, a empresa precisa atender a uma lista rigorosa de critérios, pré-estabelecidos pela SBT. Os parâmetros são públicos e ficam disponíveis no site da organização. (link: http://sciencebasedtargets.org/methods/)  

Por que é importante ter uma abordagem científica para medir emissões de carbono?

Como a maior parte das emissões globais de gases de efeito estufa está, direta ou indiretamente, ligada a corporações, as empresas têm um claro papel em proteger o nosso clima e garantir que a transição para uma economia de baixo carbono seja tranquila e assertiva. As metas científicas nos permitem demonstrar como estamos contribuindo para essa mudança de forma aberta e transparente com todos os nossos públicos. 

A Tetra Pak foi a primeira empresa da indústria de embalagens de alimentos a ter suas metas de redução de impacto climático aprovadas pela SBT. Este é um passo coerente na jornada que começamos quando estabelecemos nossa meta global, em 2011. Buscamos, continuamente, formas de melhorar nossa performance e dirigir um negócio sustentável, a partir de nossos compromissos socioambientais.

Por que a Tetra Pak decidiu alinhar suas metas climáticas de acordo com os critérios da SBT?

A adoção das metas científicas foi uma consequência de várias ações que já havíamos tomado nos últimos anos. Em 2011, estabelecemos o objetivo de estabilizar as emissões de carbono em toda a cadeia produtiva nos níveis de 2010. Até 2020, devemos alcançar esse índice. 

Em dezembro de 2015, assinamos o Acordo de Paris, reiterando nosso compromisso com projetos que ajudam a combater as mudanças climáticas. Ao aderir à iniciativa, as empresas e demais signatários prometeram fazer o possível para garantir que a meta de limitar o aumento da temperatura global a, no máximo, 2°C seja cumprida.

Todos esses índices irão atuar como uma referência externa mensurável, à medida que buscamos o crescimento de nossos negócios sem aumentar as emissões de carbono. Eles também nos permitirão demonstrar nosso comprometimento ambiental a nossos clientes e outros públicos de interesse de forma transparente. 

Como a Tetra Pak atingirá essas metas?

Temos o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 42% até 2030 e em 58% até 2040, tendo como base o ano de 2015. Para atingir esses objetivos, vamos focar em três áreas: eficiência energética, reduzindo o consumo de energia em mais de 12% no próximo ano; obtenção de eletricidade a partir de fontes renováveis, investindo em projetos e certificados; instalações de sistemas locais de energia renovável, como painéis solares.

Além disso, nos comprometemos com uma meta ambiciosa de reduzir as emissões de gases de efeito estufa por toda a cadeia produtiva em 16%, em cada região, até 2020, com base nos números de 2010.

Por que empresas como a Tetra Pak focam na redução de emissão de carbono em toda a cadeia produtiva? Sendo apenas um dos agentes na cadeia de valor, como a Tetra Pak estimula mudanças ao longo de toda a produção?

Ser uma empresa sustentável e responsável significa reconhecer que nossas responsabilidades extrapolam nossas próprias operações e incluem fornecedores e clientes. Por isso, é fundamental trabalhar minimizando o impacto ambiental em toda a cadeia, desde o fornecimento e produção até o uso e descarte dos produtos.  

Na cadeia de valor da Tetra Pak, mais de 80% das emissões têm origem na produção da matéria-prima utilizada e no uso dos equipamentos para embalagens nas fábricas de clientes. Por essa razão, o desenvolvimento responsável de matérias-primas, processos e equipamentos — e a maneira como nossos produtos são tratados no fim da vida útil — têm grade impacto nas nossas emissões totais de GEE.


Mario Abreu é vice-presidente de Meio Ambiente da Tetra Pak. Abreu lidera as equipes responsáveis pela reciclagem global de embalagens pós-consumo, reduzindo a pegada ambiental do portfólio de produtos da Tetra Pak e desenvolvendo produtos inovadores e sustentáveis feitos a partir de materiais renováveis e de fontes certificadas. Abreu é membro do Grupo Consultivo Técnico da SBT, uma iniciativa do CDP, Pacto Global das Nações Unidas, WWF e WRI para engajar empresas em definir metas científicas baseadas em propósitos ambientais. Anteriormente, atuou no Conselho de Administração da Alliance for Beverage Cartons and the Environment (ACE), no Conselho de Diretores do Forest Stewardship Council (FSC International) e atuou como Co-Presidente da High Conservation Value Resource Network entre 2006 e 2008.
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